sábado, 26 de abril de 2008

A Calcinha (Por Henrique do Rio)


Para o claustro de um convento
A ventania levou
Uma calcinha bordada
Que a paz lá dentro mudou

Os frades se assanharam
E só quando o vento passou
Pararam com suas rezas
E a confusão começou

É minha esta calcinha
Disse logo o Prior
Julgando ter o direito
Mas ninguém se conformou

Todos ao mesmo tempo
Queriam nela pegar
Antes que a ventania
Dalí a fosse levar

A disputa pela posse
Daquela linda calcinha
Cada um que nela tocava
Repetia: ela é minha

Uma disputa acirrada
Dos frades se apoderou
Como loucos alucinados
Cada um deles ficou

Despedaçaram a calcinha
E o pouco que dela restou
Até que a louca disputa
Sem sentido terminou

E depois daquela luta
Coube a frei Nathanael
Dar a todos um pedaço
Da calcinha vinda do céu

Com a posse de um pedaço
Cada um se contentou
E depois de o consagrarem
Em relíquia se tornou

Penduraram no pescoço
Aquela relíquia sagrada
Pois ela representava
A inteira calcinha bordada

À noite quando deitavam
O que lhes restava de fé
Beijavam aquele amuleto
Como se fosse mulher

Quando hoje entro no templo
Todo de ouro forrado
Por causa daquela calcinha
Sinto o cheiro do pecado

E com a calcinha toda rasgada
Com o pedaço que cada um ficou
Voltaram novamente às suas rezas
E a paz finalmente retornou

sexta-feira, 4 de abril de 2008

"A oportunidade perdida"
(Provérbio chinês)


"Nesse mundo existem 3 coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."

Eu acredito muito nisso.