A Calcinha (Por Henrique do Rio)
Para o claustro de um convento
A ventania levou
Uma calcinha bordada
Que a paz lá dentro mudou
Os frades se assanharam
E só quando o vento passou
Pararam com suas rezas
E a confusão começou
É minha esta calcinha
Disse logo o Prior
Julgando ter o direito
Mas ninguém se conformou
Todos ao mesmo tempo
Queriam nela pegar
Antes que a ventania
Dalí a fosse levar
A disputa pela posse
Daquela linda calcinha
Cada um que nela tocava
Repetia: ela é minha
Uma disputa acirrada
Dos frades se apoderou
Como loucos alucinados
Cada um deles ficou
Despedaçaram a calcinha
E o pouco que dela restou
Até que a louca disputa
Sem sentido terminou
E depois daquela luta
Coube a frei Nathanael
Dar a todos um pedaço
Da calcinha vinda do céu
Com a posse de um pedaço
Cada um se contentou
E depois de o consagrarem
Em relíquia se tornou
Penduraram no pescoço
Aquela relíquia sagrada
Pois ela representava
A inteira calcinha bordada
À noite quando deitavam
O que lhes restava de fé
Beijavam aquele amuleto
Como se fosse mulher
Quando hoje entro no templo
Todo de ouro forrado
Por causa daquela calcinha
Sinto o cheiro do pecado
E com a calcinha toda rasgada
Com o pedaço que cada um ficou
Voltaram novamente às suas rezas
E a paz finalmente retornou
3 comentários:
dr. henrique era meu vizinho.
conversei com ele poucas palavras, cheguei ate a ler um livro dele, mas o livro foi extraviado. estous buscando uma forma de conseguir outro exemplar o livro é:"jesus, como foi?"
se alguem puder me dar alguma informação sobre o doutor também ficaria grato.
meu email é: fpr@email.com
Este foi o poema mais belo que jamais me recordo de ter lido.
A Verdade: A história de mim mesmo
Menino, onde é que tu vais?!
Sigo a trila do caminho
Caminho que tantos outros
Em outros tempos fizeram
Ando por onde andaram
Vivo como viveram
Busco o que não encontraram.
Aclarar mitos, mistérios
Que nunca foram aclarados.
Menino, onde é que tu vais?!
Vou procurar a verdade
Que penso, deva existir
No percurso do caminho
Ou no fim deste porvir
O fim que talvez comece
No d'onde parti,
Deste fim que nem recordo
E ainda não percebi
Se nele estava a verdade
Que enxerguei, porém não vi.
Pode ser que tenha sido
Imponderável e fugaz
Que a soma dos meus sentidos
Não tenha sido capaz
De saber se ela existe
Ou é mito sem razão
Que vivemos procurando
Sem nunca ter solução.
Menino, onde é que tu vais?
Nasceste, ficaste crescido
Incrédulo acreditando
Naquilo que lhe ditavam
Como se fossem verdades.
E tudo que lhe contavam
Fizeram-te crente e confuso
Nas crenças então vigentes.
Credos que te impingiram
Impregnados de mitos
Mistérios nunca entendidos
Forjados por mente humana
De profetas inspirados
Que se disseram videntes
Daquilo que nunca viram
Daquilo que nunca creram
E o certo nunca mostraram.
Menino, onde é que tu vais?
Adolescente ficaste
Palavras mil agrupaste
Inúmeros números juntaste
P'ra dar sentido à verdade
Que procuravas em vão
Cada vez mais percebendo
Que tudo que lhe diziam
Não passava de mentiras
Disfarçadas em mistérios
Escusos, inexplicáveis
Como se fosse preciso
P'ra revelar a verdade
Mentir, sempre mentir.
Mentiram... mentiram tanto
Desnecessariamente
Quando talvez só bastasse
Dizerem também não saberem
Onde podem encontrá-la
Que pra saber a verdade
Devesse só procurá-la.
Menino, onde é que tu vais?
Se a verdade é Deus que procuras
Continue sem desistir
Pois Deus é o Eterno, o Infinito
Que num tempo encontrarás
E absorvido por Ele
O que procuras...acharás
Agora é resignar-se
Em não poder entendê-Lo.
É mister p'ra encontrá-Lo
Só fazer por merecê-Lo
por Henrique do Rio
out/90
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